Sustentabilidade na cozinha – parte II

Mudar hábitos não é tarefa fácil – vai sempre existir um período de habituação e nem sempre os novos hábitos se vão encaixar no nosso estilo de vida na perfeição. No entanto, se tivermos motivação, acreditarmos na nossa causa e aceitar que, por vezes, temos de ajustar as nossas rotinas de modo a sermos mais verdes, será mais fácil.

Em seguimento ao artigo sustentabilidade na cozinha – parte I, decidimos escrever um pouco mais sobre algumas das coisas que podemos fazer de modo a reduzir a nossa pegada ecológica, ou seja, o nosso impacto no ambiente.

Já referimos, em artigos anteriores, várias dicas ecológicas que se podem aplicar à cozinha, nomeadamanete a importância da compostagem, da redução do consumo de carne, em previligiar produtos a granel, locais e com a menor quantidade de plástico possível.

No entanto, existem muitas mais coisas que podemos fazer para tornar a nossa cozinha um bocadinho mais sustável, por exemplo:

Guardanapos de pano

Cá por casa, plástico ou não, a palavra de ordem é reduzir. Reduzir a quantidade de “coisas” e a quantidade de lixo produzido. Para além de estarem embalados num filme plástico, a produção de guardanapos de papel implica gastos energéticos e, claro, de matéria-prima. Apesar de poderem ser compostados, muitas vezes os guardanapos de papel acabam no lixo comum – mais um tipo de resíduo que acaba por se acumular em aterros sanitários.

A nossa solução: assaltar o baú da mãe e reutilizar guardanapos de pano que ainda não deixaram de servir o seu propósito. Ao dobrar os guardanapos de pano, é possível utilizá-los várias vezes antes de ter de os lavar.

Existem, claro, outras opções como guardanapos reutilizáveis de bambu ou, simplesmente, utilizar panos ou toalhas de cozinha.

Imagem: Monicore

Esponjas Ecológicas

O material de que são feitas as tradicionais esponjas da loiça é uma mistura de plásticos complexos, o que impossibilita a sua reciclagem. Tendo em conta que as esponjas acumulam um grande número de microorganismos num pequeno espaço de tempo e que, por isso, devem ser trocadas frequentemente, substituir as esponjas comuns por esponjas mais ecológicas, parece uma escolha fácil.

Além disso, sempre que a esponja tradicional é utilizada ou mesmo colocada na máquina de lavar a roupa ou loiça, é provável que pequenas partículas de plástico sejam libertadas, contribuindo para a contaminação dos nossos cursos de água com microplásticos.

Outra razão que torna estas esponjas muito pouco ecológicas é a matéria prima utilizada no fabrico dos seus compoentes – o petróleo.

As boas notícias são que, à semelhança de muitos outros objetos do quotidiano, existem várias alternativas ecologicamente mais sustentáveis.

Aqui por casa usam-se esponjas de fibras de coco – para além de serem completamente livres de plástico, podem ser compostadas no fim da sua vida útil a qual, na nossa experiência, se tem provado bastante longa. Não riscam a loiça e secam muito facilmente, o que reduz a probabilidade de propagação de microoganismos.

As luffas, esponjas naturais de origem vegetal, são outra alternativa às tradicionais esponjas da loiça. À semelhança das esponjas de fibra de coco, são livres de plástico e compostáveis. Além disso, são versáteis, podendo ser utilizadas no banho como alternativa às esponjas de banho que, sem surpresas, também contêm plástico na sua composição. Podem espreitar ambos os artigos na nossa loja, basta clicar aqui e aqui.

Caldo vegetal

Recentemente partilhámos nas nossas redes sociais a notícia de que Portugal planeia implementar a introdução de contentores específicos para resíduos orgânicos que, além de permitirem a produção de composto, vai permitir produção de energia. Esta notícia é fantástica porque, apesar da compostagem doméstica ser uma boa estratégia de utilização deste tipo de resíduos para produzir composto e de devolver ao solo o que vem do solo, não é algo que todas as famílias consigam levar a cabo. Adicionalmente, este processo a nível industrial  permite a compostagem de mais tipos de resíduos orgânicos quando em comparação com a compostagem em ambiente doméstico já que as condições de criadas durante o processo são diferentes, por exemplo a temperatura que é possível atingir a nível industrial é bastante superior.

Para além das vantagens descritas em cima, disponibilizar este serviço a nível nacional significa que menos resíduos vão ser depositados com os resíduos indiferenciados – a verdade é que, ao contrário do que muita gente pensa, quando o lixo orgânico se encontra em condições anaeróbias (i.e. onde não existe oxigénio) como por exemplo em lixeiras, a sua decomposição irá originar grandes quantidades de metano, um gás com com efeito um grande poder de efeito de estufa que irá contribuir para o aquecimento global.

Esta dica não permite reduzir a quantidade de resíduos que criamos, mas ajuda a aproveitar ao máximo alguns restos de comida antes de os descartarmos. Para além de ser fácil criar um caldo vegetal antes de deitarmos “fora” as cascas dos vegetais, evitamos comprar este tipo de caldos, o que vai ajudar a reduzir a quantidade de lixo produzido (que, por menor que seja, faz a diferença) e a quantidade de aditivos que adicionamos à nossa comida.

O processo é fácil – simplesmente adiciona cebolas, cenouras e as cascasdos teus vegetais a água; tempera a gosto e cozinha durante 45min a 1h (receita completa aqui). No final, basta separar o caldo resultante dos resíduos sólidos e, quando arrefecer, colocar em formas do gelo e guardar no congelador. Assim, sempre que precisamos de adicionar sabor extra aos nossos cozinhados, basta tirar alguns cubos do congelador. Como é mais eficiente fazer grandes quantidades de cada vez, vamos guardando os restos dos vegetais no congelador e, quando acumulamos uma quantidade significativa de cascas, então seguimos o processo acima descrito.

E claro, não se esqueçam de descartar os resíduos orgânicos da maneira mais ecológica possível.    

Imagem: uniteforher.org

Usa o congelador

A verdade é que, para quem não tem a possibilidade de aceder facilmente a mercados para adquirir frutas e vegetais frescos, o congelador é uma ferramenta que tem o potencial de permitir não só a redução do desperdício gerado nas nossas cozinhas, mas também de nos pode ajudar a poupar de várias maneiras incluindo, por exemplo, a possibilidade de conservar os nossos próprios caldos vegetais como descrito acima, por mais tempo. Deixamos abaixo mais algumas das maneiras para utilizar o congelador de modo a reduzir o desperdício gerado:

– Comprar fruta da época em maiores quantidades ou quando está a um preço mais reduzido e guardar no congelador em frascos de vidro reutilizados. Por exemplo, frutos vermelhos são ótimos para guardar no congelador e ir utilizando para sobremesas, doces ou smoothies. As bananas maduras congeladas são perfeitas como base de smoothies ou gelado de banana;

– À semelhança da fruta, muitos vegetais podem ser conservados durante vários meses no congelador. Se os cortarmos antes de os guardarmos no congelador, vamos poder juntá-los diretamente a refugados ou sopas. Ao fazê-lo antes de deixarmos os vegetais se estragarem no frigorífico, reduzimos o desperdício alimentar e consequentemente, evitamos que toda a água, energia e mão-de-obra gastas naquele alimento sejam, também, desperdiçados. Vegetais como alho francês, pimentos, cenoura ou couve são exemplos que resultam muito bem;

– Congelar pão, caso não o consigamos consumir todo quando fresco, também ajuda a reduzir a quantidade de comida desperdiçada: o pão pode-se deixar descongelar à temperatura ambiente ou, se já estiver fatiado, pode-se colocar diretamente na torradeira. Além disso, também o podemos congelar em cubos e ter croutons sempre prontos, ou mesmo ralar o pão e congelar assim mesmo, pronto a utilizar quando necessário.

– Para quem gosta de preparar várias refeições para irem sendo utilizadas durante as semanas seguintes, o congelador vai permitir que o sabor e a qualidade das mesmas se preservem durante tempo. Ou então, pode usar-se para preservar os alimentos já preparados, mas antes de cozinhados como almôndegas ou hambúrgueres (como estes, de feijão).

Imagem: Free-Photos

Até breve!