Gestão de resíduos urbanos em Portugal

Gestão de resíduos urbanos em Portugal

Todos sabemos que é preciso tomar medidas no sentido de minimizar o impacto da crescente quantidade de resíduos produzidos pela nossa população, incluindo de materiais plásticos. Em Portugal foi criado um Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU) 2020 que estabelece metas e medidas para a gestão dos resíduo urbanos entre 2014 e 2020. Este é um plano que inclui metas como reduzir para 35% a deposição em aterro de resíduos urbanos (RU) biodegradáveis, com vista à erradicação da deposição direta de RU em aterro até 2030.

No entanto, o Relatório de Avaliação PERSU 2020 elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente com dados até 2016, concluiu que Portugal deposita em aterros sanitários mais de 50% dos resíduos produzidos e não existem perspetivas para uma evolução significativa nos próximos anos. Infelizmente, este relatório também concluiu que várias outras metas não foram atingidas em 2016, o que dificulta que estas metas sejam atingidas em 2020.

Em 2017, cada cidadão em Portugal continental produziu em média 1.32kg de resíduos diariamente – 4.75 milhões de toneladas no total, 2.3% mais que no ano anterior.

Mas nem tudo é negativo – segundo a Quercus, desde que uma taxa de 0.10€ começou a ser cobrada por cada saco de plástico em 2015, verificou-se uma redução em cerca de 50% na compra destes artigos nos supermercados. Adicionalmente, segundo a Sociedade Ponto Verde, sete em cada dez lares já fazem a separação de lixo. No entanto, muitos portugueses ainda não sabem separar o lixo corretamente. Deixamos aqui algumas dicas da Sociedade Ponto verde para uma reciclagem mais eficiente:

  • Não é necessário lavar as embalagens antes de as colocar no ecoponto;
  • As embalagens devem estar espalmadas para otimizar espaço no ecoponto;
  • As latas de conserva e pacotes de bebidas devem ser colocadas no ecoponto amarelo;
  • Guardanapos e papel de cozinha devem ser colocados no lixo indiferenciado;
  • Não é necessário retirar os rótulos das embalagens antes de as colocar no ecoponto;
  • Se uma embalagem for constituída por vários materiais e não for possível separá-los, pode colocar no ecoponto do material predominante;
  • Os copos de vidro partidos não devem ser depositados no ecoponto verde;
  • O esferovite deve ser colocado no ecoponto amarelo;
  • Pacotes de leite/vinho/sumo/polpa de tomate/natas podem colocar-se no ecoponto amarelo;
  • Cápsulas de café não podem ser colocadas no ecoponto amarelo.

Segundo os resultados de um estudo feitos pela Quercus, quase todos os portugueses sabem que o plástico é um problema mas apenas cerca de metade mudaram o seu comportamento. O mesmo estudo revelou que 22,6% dos inquiridos não conhecem as alternativas ecológicas aos plásticos descartáveis, 65% não sabem identificar os plásticos recicláveis, e grande parte tem dúvidas na identificação de produtos que contêm microplásticos. Um pouco mais de informação sobre microplásticos, incluindo uma lista de produtos de higiene pessoal que ainda contêm microsferas plásticas em Portugal pode ser encontrada aqui.

No fundo, o motivo pelo qual não existem mais mudanças nos comportamentos dos cidadãos portugueses face à utilização de produtos plásticos resume-se na falta de sensibilização da população. Cabe a todos nós partilhar ideias, dicas e alternativas ecológicas para que o país possa evoluir neste sentido. Todos nós devemos fazer um esforço consciente para diminuir a quantidade de lixo que produzimos. Repensar pequenos actos ou compras que estão incorporadas na nossa rotina é crítico. Minimizar é chave. Poupamos dinheiro, e o planeta agradece.

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