O impacto ambiental dos protetores solares

O impacto ambiental dos protetores solares

Os benefícios que a exposição solar nos pode trazer são vários – desde o seu efeito antidepressivo até ao efeito positivo em alguns problemas de pele. No entanto, apenas uma exposição solar progressiva e com uma proteção adequada pode beneficiar o nosso corpo. Caso contrário, a exposição solar pode ter efeitos negativos cumulativos levando ao fotoenvelhecimento precoce da pele e ao aumento do risco de cancro da pele. Os cancros da pele são os mais frequentes em humanos. Em Portugal, estima-se que sejam diagnosticados cerca de 10.000 casos de carcinoma basocelular e espinocelular por ano. 

A verdade é que da mesma maneira que nos preocupamos com as substâncias químicas que ingerimos através da nossa alimentação, aquelas que entram no nosso corpo através da absorção cutânea não devem ser negligenciadas.

Este artigo tem como objectivo ajudar a perceber como funcionam os protetores solares e dar a conhecer alguns dos seus ingredientes e as suas propriedades.

Tipos de protetores solares

  • Químicos – Reagem quimicamente com os raios UV, absorvendo-os.

Exemplos: Ácido paraminobenzoico ou cinamatos.

  • Físicos ou minerais – Refletem  os raios UV antes que estes toquem na pele.

Exemplos: Óxido de zinco e Dióxido de titânio.

Os protetores solares minerais, que protegem contra os raios UVA e UVB e que tem um elevado índice de proteção, são tão eficientes como os químicos e tendem a ser menos irritantes, sendo normalmente os aconselhados a pessoas com pele sensível bem como a crianças e grávidas.

No entanto, este tipo de protetores deixam muitas vezes uma camada branca quando aplicados na pele.

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Impacto ambiental de protetores solares químicos

Substâncias químicas, como a oxibenzona e o metoxicinamato de octilo (octinoxato), são frequentemente usadas neste tipo de protetores solares e podem danificar o ADN de recifes de coral e reduzir a sua capacidade reprodutiva e de regeneração, bem como a sua capacidade de adaptação às alterações climáticas. Alguns estudos também sugerem que algumas destas substâncias químicas provocam danos genéticos a outros organismos marinhos e sugerem que a oxibenzona age como um disruptor endócrino (substâncias que agem como hormonas causando alterações na função fisiológica das hormonas do organismo).

Estima-se que todos os anos até 14 000 toneladas de protetor solar podem acabar nos oceanos. Estas substâncias químicas chegam à água por vários meios, incluindo pelo escoamento das águas domésticas no oceano. Seja quando tomamos banho (no mar ou em casa), seja pela nossa urina (já que alguns estudos sugerem que a oxibenzona penetra na nossa pele e pode ser encontrada na urina).

A partir de 2021, a venda de protetores solares que contenham oxibenzona e metoxicinamato de octilo (octinoxato) vai ser proíbida no Havai. No entanto, este não é caso único já que estas substâncias químicas já não são permitidas em algumas áreas do México, por exemplo.

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Branqueamento dos corais

Substâncias químicas como a oxibenzona ou o metoxicinamato de octila também tornam os corais mais suscetíveis a um fenómeno chamado o branqueamento dos corais. A cor é uma das principais características dos recifes de coral e está diretamente relacionada com a sua saúde. Quando existe um aumento da temperatura da água do mar, as algas que dão a cor característica aos corais produzem substâncias tóxicas fazendo com que os corais as expulsem. Sem as algas, os corais ficam desnutridos e acabam por morrer.

O branqueamento dos corais afeta muitas mais espécies já que os recifes de coral são ecossistemas complexos do qual também fazem parte algas, peixes e invertebrados. Apesar das alterações climáticas serem a principal ameaça aos recifes de coral, substâncias químicas como aquelas que fazem parte de vários protetores solares, também têm um efeito negativo sobre este ecossistema. Claro que a redução da nossa pegada ecológica é a principal maneira de reduzir a nossa contribuição para o aquecimento global que para além de contribuir para a destruição de recifes de coral, é responsável por vários outros fenómenos que estão a ocorrer não só no mar, mas também na terra.

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As nanopartículas

De modo a reduzir a camada branca na pele depois de aplicar um protetor solar mineral, os filtros físicos como óxido de zinco e dióxido de titânio começaram a ser incorporados em nanopartículas. Apesar de existirem estudos que sugerem que estas nanopartículas podem ser tóxicas para a vida aquática devido a um maior potencial oxidativo ou seja, capacidade de reagir com moléculas de oxigénio e formar radicais livres que podem afetar a vida marinha, já pode haver uma solução. Na verdade, alguns produtos têm as suas nanopartículas revestidas com materiais inertes como a sílica, evitando contacto com o oxigénio.  

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Então e quais são as melhores opções?

A verdade é que nenhum protetor solar é 100% eficaz e todos eles têm potencial de perturbar a vida marinha. No entanto, protetores solares minerais (como o óxido de zinco e dióxido de titânio) que oferecem proteção contra raios UVB (traduzida pelo Fator de Proteção Solar – FPS) e UVA são aqueles que parecem ter menor impacto no ambiente. Adicionalmente, é importante evitar todo o tipo de produtos cosméticos que contenham microplásticos – podes consultar esta lista para confirmar.

Por vezes os protetores solares contêm simultaneamente filtos químicos e físicos, tornando-se importante ler a lista de ingredientes na totalidade. Caso existam dúvidas sobre os ingredientes de um determinado produto, entrar em contacto com a marca e pedir esclarecimentos é essencial, para que depois possamos tirar as nossas próprias conclusões.   

Se optarmos por um filtro químico, os mais seguros serão aqueles sem oxibenzona nem  metoxicinamato de octilo (octinoxato). Outras substâncias químicas que, pelos seus possíveis efeitos negativos quer nos ecossistemas marinhos quer no nosso organismo, devem ser evitadas são parabenos, derivados de cânfora, cinamatos, benzofenonas, triclosan, ácido paraminobenzóico e o octocrileno.

No entanto, as melhores formas de prevenir possíveis danos causados pela radiação solar são: evitar a exposição solar entre as 11h e as 16h, procurar sombra e cobrir a nossa pele com vestuário.

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Até breve!

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