Desabafos de um zero waster imperfeito
O desafio

Os termos zero waste e desperdício zero têm-se vindo a destacar nas redes sociais, principalmente desde que o problema da acumulação de plástico e o seu impacto nos ecosistemas ganhou visibilidade na comunicação social.

Esta é uma “moda” que espero ter vindo para ficar, já que as tendências do consumismo e do descartável foram as responsáveis pelo estado de emergência ambiental em que nos encontramos.

No entanto, o termo desperdício zero transmite uma mensagem de perfecionismo que pode assustar algumas pessoas que, apesar de quererem dar o primeiro passo em direção a uma vida mais sustentável e menos “plástica”, não conseguem alcançar esse feito de gerar ZERO lixo. A incapacidade de completar este desafio diariamente, pode levar a um sentimento de culpa e, consequentemente, levar a um afastamento deste conceito e estilo de vida.

Este foi um dos motivos pelo qual movimentos alternativos foram surgindo, tal como o low impact movement, cujo principal foco é a redução do desperdício gerado, em vez da sua eliminação completa.

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A realidade

Gerar, ao longo de um ano, uma quantidade de lixo que cabe num frasco de vidro, não é possível para a maioria parte de nós e isso não deve servir de motivo para não darmos o nosso melhor nesta luta que é de todos.

Muitos de nós não temos o tempo e/ou os recursos disponíveis para conseguir encontrar tudo o que precisamos sem embalagens plásticas. Por exemplo, nem toda a gente tem uma loja a granel por perto.

Esta adaptação deveria ser feita pelas próprias indústrias, através de mudanças no fabrico e apresentação dos produtos aos consumidores. Até lá, apenas podemos comprar o que está disponível, optando sempre que possível pela opção que consideramos ser a mais sustentável.

Deixo aqui uma mensagem de conforto para aqueles que, como eu, são zero wasters imperfeitos: por muito pequenas e indiferentes que as vossas ações possam parecer, elas fazem toda a diferença.

Além disso, existem tantas outras coisas que podemos fazer para reduzir o nosso impacto no ambiente que não implicam reduzir a quantidade de lixo sólido que produzimos… Mas esse será tema para outro artigo!

Sê a mudança que queres ver no mundo

Mohandas Gandhi

Iniciação

A infinita quantidade de informação sobre o movimento desperdício zero pode fazer com que seja difícil começar.

O meu conselho: foca-te numa mudança (pequena ou grande) de cada vez. Será mais facil integrá-la na tua rotina e fazer dela um hábito. Por exemplo, a minha primeira mudança foi usar escovas de dentes de bambu em vez de escovas de dentes de plástico. Depois, troquei o rolo de cozinha  por guardanapos de pano (encontrados no baú da mãe). Depois, substituí os meus produtos de higiene íntima descartáveis por alternativas reutilizáveis. E por aí fora…

Mudança

Desde que comecei a minha caminhada há 4 anos, o meu estilo de vida mudou drasticamente e eu também.

Olho para aquilo que tenho e compro com olhos diferentes. Por trás de cada coisa que adquirimos esconde-se o seu valor real, que vai muito além do seu custo monetário: a energia gasta para o fazer, mão de obra, matéria-prima, transporte…entre outros passos que passam despercebidos.

Desabafo final

Fazer parte do movimento zero waste é fazer parte de um grupo de pessoas que ganharam real consciência para o estado de crise do ambiente e decidiram fazer alguma coisa para mudar.

Se toda a gente pensar que a perfeição é um pré-requesito, então muito poucas pessoas se juntam e o mundo não muda. Façamos todos o nosso melhor.

Não precisamos de algumas pessoas a praticar zero waste de um modo perfeito. Precisamos de milhões a praticá-lo de um modo imperfeito. 

Anne Marie Bonneau

Até breve,

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