O verdadeiro custo dos abacates

O verdadeiro custo dos abacates

Hoje em dia temos facilidade em adquirir frutos e legumes provenientes de vários pontos do planeta em qualquer estação do ano.

O abacate, por exemplo, é um fruto exótico com origem na América do Sul cuja popularidade tem crescido imenso nos vários continentes. Apesar de também serem cultivados no nosso país, principalmente no Algarve e na Madeira, muitas vezes os abacates que encontramos nos supermercados provêm do continente americano.

Este fruto é rico em gorduras monoinsaturadas, vitamina B, E, K, ácido fólico, magnésio e potássio e é a delícia de muitos. É um fruto versátil e pode ser utilizados em batidos, saladas, sobremesas ou sandes.

Não podemos negar que os abacates estão na moda e têm um elevado valor nutricional – mas qual o seu verdadeiro custo ambiental e social?

O aumento exponencial da procura deste fruto tem tido um importante impacto ambiental, contribuindo para desflorestação ilegal em países como o México. Sendo a produção do abacate mais rentável, muitos agricultores acabam por preferir produzir este fruto e por vezes recorrem à desflorestação para conseguirem terrenos para os produzir. No entanto, a substituição de florestas por plantações de abacates tem um vasto impacto por vários motivos.  

Em primeiro lugar, os espaços florestais fixam grandes quantidades de azoto e carbono atmosférico, contribuindo para a mitigação do efeito de estufa causado por estes gases. Na verdade, cerca de 50% do peso seco de uma árvore é constituída por carbono.

Adicionalmente, ao contrário das florestas, as plantações de abacates necessitam de pesticidas e fertilizantes que contaminam os solos e consequentemente, os lençóis de água o que constitui um risco para a saúde pública.

Por fim, estas plantações necessitam de uma maior quantidade de água, reduzindo os recursos de água disponíveis no subsolo.

Adicionalmente, há que considerar a pegada ecológica do transporte que muitas vezes implica vários milhares de quilómetros.

Em termos humanitários, abacates provenientes de plantações na América Latina são também eticamente questionáveis, já que existem várias fontes que sugerem que muitas vezes os trabalhadores não são oferecidos salários ou condições de trabalho justas.

Por outro lado, o aumento brusco da procura de alimentos como o abacate por países desenvolvidos torna os seus preços instáveis dificultando que as populações locais os consigam adquirir.

A verdade é que quando compramos produtos importados de países longínquos (sejam estes produtos alimentares ou não), pouco sabemos sobre as condições em que o produto foi produzido e não sabemos que tipo de indústria estamos a apoiar.

No entanto, se tivermos de obter produtos provenientes de zonas como a América Latina (não só abacates mas também produtos como o café ou bananas), podemos optar por aqueles provenientes de um comércio justo, ou fairtrade, que visa a proteção do ambiente e dos direitos humanos.  

Sim, os abacates têm um elevado valor nutricional – mas não são insubstituíveis. Sementes de girassol, brócolos, couves, azeitonas e azeite são produtos bastantes mais sustentáveis que podemos incorporar na nossa dieta e que nos vão oferecer muitos dos benefícios nutricionais deste fruto.

No fundo, o importante é despertar a nossa consciência no sentido de dar importância à origem dos produtos escolhemos adquirir pois na verdade, ao escolher um determinado produto, estamos apoiar os valores da indústria que o produziu.

Até breve!

 

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