O problema do plástico

O problema do plástico

Penso que não haja ninguém que ainda não tenha visto um vídeo sobre as correntes marinhas que transportam lixo. A grande maioria dos materiais destas correntes é plástico – de todos os tamanhos e feitios, de pedaços grandes a microplásticos, estima-se que hajam 150 milhões de toneladas de plástico nos oceanos.

Apesar destes vídeos continuarem a ser partilhados, a verdade é que treze milhões de toneladas de plástico ainda chegam aos oceanos todos os anos. Concordo que seja desafiante diminuir a produção de lixo, mudar os nossos costumes e rotinas, e ao mesmo tempo continuar com as nossas vidas atarefadas, mas talvez todos nós possamos fazer um pouco mais por esta causa.

Eu própria não fiz, de todo, tudo aquilo que poderia ter feito para minimizar a produção do lixo que produzo. No entanto, tento que as minhas escolhas sejam conscientes. Cada vez que compro um produto, penso no seu possível impacto no ambiente: é reciclável? Compostável? Reutilizável? Existirão perto de mim alternativas a este produto que tenham menor impacto no ambiente? Penso que é um processo longo, mas a “sementinha” está plantada, e a crescer muito saudável. Um dos objectivos deste blog é plantar essa “sementinha” em mais pessoas para que juntos possamos começar a mudar esta realidade.

Existe também a problemática dos microplásticos. São pedaços pequenos de plástico que podem não ter um impacto visual tão grande mas não deixam de contribuir negativamente para os seres aquáticos e também para o ser humano. É possível encontrar vestígios de plástico no peixe que consumimos, ou no sal marinho com que temperamos as nossas refeições.

E tudo isto porquê? Porque os sacos de plástico são convenientes para transportar as nossas compras? Porque os refrigerantes sabem melhor quando bebidos por uma palhinha de plástico? Porque as micropartículas nos esfoliantes faciais são indispensáveis para uma pele saudável? Ou simplesmente porque é tão conveniente comprar uma garrafinha de água para transportar na nossa mala?

Talvez nem toda a gente saiba que uma garrafa de água pode levar até 450 anos a desfragmentar-se lentamente. Um saco de plástico, até 300 anos. Na verdade, o plástico nunca desaparece totalmente, apenas se torna em partículas cada vez mais pequenas até terem tamanho microscópico e ficarem permanentemente nos nossos solos e água.

Está bem, mas eu faço a separação de lixo e todos os meus plásticos vão para a reciclagem, dizem alguns. Em primeiro lugar, é difícil acreditar que reciclamos todos os plásticos que usamos. Será que levamos a palhinha que usamos no café para o ecoponto amarelo? Mas mesmo se conseguirmos colocar na reciclagem todos os nossos desperdícios plásticos, infelizmente nem todos os plásticos são recicláveis. Além disso,  alguns plásticos só podem ser reciclados um certo número de vezes. Na verdade, estima-se que dos 25 milhões de toneladas de resíduos plásticos que se produzem na Europa em um ano, apenas 30% sejam reciclados.

Portanto, penso que terá mais sentido simplesmente reduzir a quantidade de plástico que utilizamos, em vez de confiarmos a 100% na reciclagem.

Espero que este pequeno texto tenha inspirado alguém na direção da redução de produção de lixo, como me inspirou a mim a continuar a percorrer o mesmo caminho.

Até breve!

 

Joana

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