O outro lado da guerra contra o plástico

O outro lado da guerra contra o plástico

Nos últimos anos, o plástico tem tido cada vez mais protagonismo na imprensa a nível mundial. O problema é real e medidas urgentes devem ser tomadas tanto por cada um de nós, como pelas autoridades governantes.

Têm surgido vários movimentos cujo objetivo é dar a conhecer ao público os efeitos negativos que o uso excessivo de plástico, principalmente de uso único, pode ter no ambiente. Foi precisamente neste sentido que decidimos dar vida ao projeto Ecosisters – para sensibilizar mais pessoas para este tema através da partilha do nosso próprio percurso em direção a um estilo de vida mais sustentável.

De igual modo, alguns países já tomaram medidas importantes na tentativa de reduzir a quantidade de plástico desperdiçado incluindo Portugal, em 2015 ao introduzir uma taxa de 10 cêntimos aos sacos de plástico leves. Ainda assim, a verdade é que ainda há muito a fazer – incluindo uma mudança na mentalidade de cada um de nós.

No entanto, abolir completamente os plásticos pode ser contraproducente e ter um forte impacto  no ambiente – como no caso de algumas embalagens alimentares. Adicionalmente, algumas das alternativas criadas aos plásticos convencionais podem também ter consequências ambientais negativas.

Embalagens alimentares

Alguns alimentos precisam de embalagens para conservarem a sua qualidade. Claro que, muitas das vezes, este não é o caso, sendo que já todos nos deparámos com embalagens claramente supérfluas. Mas se as embalagens, incluindo as de plástico, protegerem um determinado alimento e evitarem que seja este desperdiçado, então ele teve um propósito. A agricultura é uma fonte importante de gases com efeito de estufa e consome variados recursos, incluindo recursos hídricos valiosos. Além disso, o desperdício alimentar não tem apenas um impacto ambiental, estando também questões sociais, éticas, económicas associadas. Por todos estes motivos, é fundamental reduzir o desperdício alimentar ao máximo e infelizmente, para muitos de nós, muitas vezes isto pode significar o recurso a embalagens de plástico – pelo menos até que surja uma solução melhor.

Campanha da Greenpeace (Reino Unido)

Os estabelecimentos que vendem produtos a granel ajudam bastante na redução da quantidade de desperdícios gerados – não só ajudam a minimizar o desperdício alimentar, pois apenas compramos aquilo que precisamos, mas também poupamos em embalagens caso levemos as nossas. No entanto, muitas pessoas ainda não têm acesso fácil a este tipo de estabelecimentos. Além disso, é importante considerar o impacto ambiental que a deslocação  a uma destas lojas terá, caso esta seja consideravelmente mais longe que a nossa loja habitual.

Cantinho a Granel (Viseu)

Bioplásticos

O termo bioplástico engloba dois tipos de material: plásticos de origem vegetal e plásticos biodegradáveis. Ao contrário do plástico comum, que deriva de combustíveis fósseis, os plásticos de origem vegetal derivam de fontes renováveis como por exemplo o açúcar, o amido ou os óleos e gorduras vegetais. No entanto, estes bioplásticos não são necessariamente biodegradáveis, como muitas vezes se assume. De igual forma, nem todos os plásticos biodegradáveis têm origem vegetal, podendo derivar do petróleo.

Os bioplásticos têm vindo a tornar-se bastante populares – mas será que eles não afetam o meio ambiente?

Plásticos de origem vegetal   

Os plásticos de origem vegetal são outra potencial área de preocupação, principalmente caso a sua produção aumentar de forma exponencial. À semelhança dos plásticos biodegradáveis, os plásticos de origem vegetal não são facilmente recicláveis e caso acabem em aterros sanitários vão libertar gases de efeito de estufa como o metano, que contribuem para o aquecimento global.  

Adicionalmente, a produção destes bioplásticos tal como os biocombustíveis,  necessita de uma grande quantidade de terreno e recursos hídricos o que pode contribuir para a crise alimentar a nível mundial. A desflorestação é outro dos problemas que pode resultar do crescimento exponencial da procura deste tipo de materiais.

Photo by Aaron Kittredge from Pexels

Plásticos biodegradáveis

A biodegradação é um processo químico durante o qual microorganismos existentes no ambiente convertem materiais em substâncias naturais como água, dióxido de carbono e metano. Para que este processo ocorra, são adicionados aditivos que vão permitir que o plástico se degrade contudo, este processo pode levar vários anos. 

Para que ocorra o processo de biodegradação, são necessárias condições específicas no meio ambiente envolvente – por exemplo de temperatura e dos níveis de oxigénio. Isto significa que os plásticos biodegradáveis também não devem ser deitados no chão, nem no lixo comum já que os aterros sanitários não reúnem as condições favoráveis ao processo de biodegradação. Para que o processo de biodegradação ocorra, devemos garantir que as condições de biodegradação aconselhadas pelo fabricante sejam cumpridas, sejam estas condições de compostagem caseira ou industrial.

Os plásticos biodegradáveis são, na sua essência, plásticos e por isso eles também podem ser reciclados. O código de identificação deste tipo de plástico é, geralmente, o número 7 (outros) e a sua reciclagem pode não ser tão simples como seria desejável. Os aditivos adicionados a este material podem tornar o processo de reciclagem mais difícil e dispendioso e nem todos os centros de tratamento de resíduos têm as infraestruturas necessárias para o fazer.

Então qual é a solução?

A verdade é que ainda não há uma solução perfeita para o problema dos plásticos.

A melhor coisa que podemos fazer é evitar ao máximo a utilização plásticos descartáveis e sensibilizar mais pessoas a fazer o mesmo. Além disso, é importante desenvolver um sentido crítico quando um produto bio ou verde entra no mercado, pois nem sempre significa são produtos com menor impacto no ambiente. 

Até breve! 

 

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