Porquê dizer não às garrafas de plástico?

Porquê dizer não às garrafas de plástico?

As garrafas de plástico são dos poluentes mais abundantes no nosso planeta. Ainda que se trate de um material reciclável, a realidade é que grande parte acaba em aterros sanitários, rios ou mares.

Em Setembro do último ano, um grupo de voluntários recolheu, num só dia, cerca de 2500 garrafas de plástico de uso único das margens do Rio Tamisa, em Londres. Nos Estados Unidos estima-se que, por dia, cerca de 35 bilhões de garrafas de água de plástico sejam deitadas fora. Estes números mostram a dimensão do impacto que estes plásticos têm no ambiente.

Mas qual o seu impacto na nossa saúde?

Um dos componentes do plástico, o Bisfenol-A (BPA) tem feito despertar alguns alarmes no que diz respeito aos riscos para a saúde. Segundo a Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascente, as garrafas de água em plástico de Portugal são produzidas com base na matéria-prima Polietileno Tereftalato (PET), onde a substância Bisfenol-A não existe. Existem fontes que sugerem que garrafas de PET também podem contaminar os seus conteúdos com disruptores endócrinos semelhantes ao BPA – substâncias químicas que se ligam aos receptores de hormonas como o estrogénio, podendo influenciar processos reprodutivos e endócrinos. No entanto, a verdade é que o plástico PET é atualmente considerado como seguro pela FDA e outras agências reguladoras para armazenamento produtos alimentares.

Apesar dos riscos para a saúde das garrafas de plástico ainda gerarem controvérsia, os seus riscos ambientais são bastantes reais e, para vos ajudar a escolher a melhor alternativa, resumimos alguns factos sobre as possíveis alternativas às garrafas de plástico.

  • Plásticos de origem vegetal

Apesar de serem produzidos com menos energia e sem utilizar combustíveis fósseis, os bioplásticos não deixam de ser plásticos, com os mesmos problemas de fim-de-vida. Ainda que algumas garrafas possam indicar na embalagem que são biodegradáveis ou compostáveis, a maioria requer processos industriais para que assim o sejam, e não devem ser colocadas num compostor caseiro.

  • Cartão/Tetrapak (“boxed water is better”)

Embalagens feitas de cartão cresceram de popularidade e são comuns hoje em dia nos supermercados para vários produtos alimentares, mas são uma aposta recente para alternativa às garrafas de água de plástico. Estas embalagens são de envio fácil e amigo do ambiente, pois ocupam muito menos espaço; mas para manter a sua sustentabilidade ao longo do tempo são compostas de várias camadas de cartão e alumínio o que dificulta o processo de reciclagem.

  • Vidro

Foi a primeira e, durante muito tempo, a única opção até ter dado lugar aos plásticos. O vidro é infinitamente reciclável, embora nem sempre termine nos contentores devidos. É livre de contaminantes, fácil de limpar e esterilizar sem perder as suas qualidades. O peso e a durabilidade ao choque são as únicas desvantagens em relação ao plástico mas, de um modo geral, vidro é não só melhor para o ambiente, mas também para o nosso organismo.

  • Alumínio

O alumínio é uma opção relativamente recente, reciclável e ultra-leve e por isso favorita em relação às garrafas de aço. São resistentes e conseguem manter a temperatura durante mais tempo. No entanto, apesar de maioritariamente livres de BPA e inalteráveis com a temperatura, podem reagir com certos líquidos e para evitar a contaminação, as garrafas de alumínio são muitas vezes revestidas com um material resinoso, também este com efeitos controversos para a saúde.

  • Aço inoxidável

As garrafas de aço inoxidável são a opção favorita para certos desportos. São super resistentes, duráveis e de fácil esterilização. Conseguem suportar líquidos com várias temperaturas e, ao contrário do alumínio, não contêm revestimentos resinosos. No entanto, requerem muita energia para serem produzidas, aquecem facilmente (quando se trata da água que queremos manter fresca), e  podem dar um ligeiro sabor metálico ao conteúdo.

Há vários factores a considerar quando calculamos o impacto que cada material tem no ambiente. Cada um destes materiais requer energia para ser produzido, transportado e reciclado – mas a verdade é que qualquer uma destas opções é melhor que o plástico. 

Existem, no entanto, situações em que não é possível utilizar a água proveniente da rede pública quer por não ser potável, quer por ter um sabor característico a cloro. No primeiro caso podemos, por exemplo, optar por garrafões de água em vez de garrafas mais pequenas – não só para gerar menos resíduos, mas também porque a energia e matérias primas gastas na sua produção foi menor. No segundo caso, existem vários filtros disponíveis no mercado, como por exemplo filtros de carvão activo.

E vocês, ainda utilizam garrafas de água de uso único?

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