Ilhas de plástico

Ilhas de plástico

Estima-se que hajam quase 80 mil toneladas de detritos de plástico entre a California e o Havai, no Oceano Pacifico. Em termos de área ocupada, pensa-se que seja equivalente a três vezes o tamanho de França. A Grande Mancha de Lixo do Pacífico não é, infelizmente, a única ilha de plástico flutuante: existem mais quatro espalhadas pelos oceanos. Estas ilhas de lixo formam-se devido a correntes marinhas rotativas, ou giros, que criam uma espécie de vórtex que acaba por acumular objetos flutuantes.

Sem dúvida que um dos maiores factores contributivos para a existência da Grande Mancha de Lixo do Pacífico, é a inexistente (ou muito rudimentar) gestão de resíduos de muitos dos países à sua volta. No entanto, estas manchas de lixo, acabam por  acumular detritos provenientes de vários pontos do planeta. Na verdade, alguns países europeus acabam por vender os seus resíduos a países asiáticos para que estes os possam reciclar. No entanto, muitas vezes estas quantidades enormes de plástico acabam por ser ilegalmente despejadas no oceano.

Em 2016, um estudo realizado à ilha de lixo do Pacífico, concluiu que  99,9% dos detritos encontrados eram plásticos como recipientes, garrafas, tampas, fitas de embalagens ou sacos de plástico mas, muitos dos materiais plásticos encontrados eram provenientes de actividades humanas relacionada com a pesca. Este estudo também concluiu que cerca de metade desta ilha era constituída por redes de pesca abandonadas.

Estes materiais vão-se deteriorando lentamente e quando se tornam pequenos o suficiente, podem ser confundidos com alimentos e acabam por ser ingeridos por animais marinhos e terrestres. Estima-se que todos os anos, cerca de 100,000 animais marinhos sejam feridos por materiais plásticos.

Apesar da maioria dos materiais existentes nestas ilhas de lixo não serem provenientes diretamente do lixo que nós produzimos diariamente ao contrário do que se pensava até à pouco tempo, há muitas coisas que nós podemos fazer para não contribuir para o seu agravamento.

Na verdade, o lixo que nós produzimos chega aos nossos mares e oceanos por diferentes vias.

Durante o seu transporte ou mesmo quando em aterros, o lixo pode ser empurrado pelo vento, acabando em rios ou oceanos. Adicionalmente, quando o lixo é simplesmente deitado no chão, seja por irresponsabilidade ecológica ou pela inexistência de sistemas organizados de tratamento de resíduos, ele pode ser arrastado pelo vento ou chuvas para sistemas de esgotos ou rios, acabando nos oceanos.  

Muitos dos nossos produtos cosméticos contêm pequenas partículas de plástico (microesferas) que são demasiado pequenas para poderem ser filtradas, muito possivelmente acabando nos oceanos. Felizmente, este problema está a começar a ser reconhecido e no início do ano, o reino unido baniu o uso destes materiais em produtos cosméticos. Infelizmente, cotonetes, toalhitas e outros materiais continuam a ser colocados na sanita, contribuindo para este problema. Além disso, muitas peças de vestuário contêm fibras plásticas, que acabam por entrar nos oceanos cada vez que estas são lavadas. Os efluentes industriais também têm um impacto bastante negativo nos meios aquáticos dado que nem sempre as indústrias os tratam antes de os libertarem para o meio ambiente.

Cabe então a nós fazer opções mais sustentáveis e reduzir tanto quanto possível a utilização de plásticos de uso único.

Aqui ficam algumas sugestões de como fazer a nossa parte para um mundo melhor:

  • Participar em actividades de limpeza de praias e rios – estas actividades começam a ser bastante comuns no nosso país;
  • Colocar o nosso lixo nos recipientes próprios e reciclar todos os materiais recicláveis;
  • Reduzir a quantidade de coisas que compramos e preferir produtos sem embalagens
  • Fazer escolhas mais sustentáveis, como por exemplo produtos cosméticos livres de microesferas e vestuário com fibras naturais, como o algodão;
  • Usar as nossas coisas o mais possível e quando chegarem ao “fim de vida” tentar dar-lhe um novo propósito – reutilizar;
  • Espalhar informação – falar com amigos e colegas e tentar despertar curiosidade para estes temas.

 

Joana

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