Conhece os plásticos

Conhece os plásticos

O plástico é um material sintético criado a partir de polímeros orgânicos como a celulose, o carvão ou o crude. Devido à sua plasticidade, eles são facilmente moldados quando submetidos a certas condições de temperatura e pressão. É um  material bastante utilizado por várias indústrias por ter baixo custo de produção e pelas suas características de maleabilidade e resistência. No entanto, a partir dos anos 50, a sua produção e consumo tem vindo a crescer exponencialmente, sendo actualmente considerado um problema ambiental. Na verdade, as propriedades que tornam o plástico tão útil, são as mesmas que o tornam perigoso para o ambiente. Segundo a WWF,  72% do lixo das portuguesas praias é plástico.

Somos apologistas da ideia que reciclar deve ser o último recurso – no artigo dos 5 R’s, escrevemos um pouco sobre como podemos reduzir e reutilizar tanto quanto possível.

No entanto, na nossa vida podem haver situações em que utilizar plástico pode ser considerado inevitável. O objetivo deste artigo é dar a conhecer os principais tipos de plástico e algumas das suas características, para nos ajudar a escolher os polímeros com menor impacto negativo – tanto no meio ambiente, como no nosso organismo.

É importante saber que ter um código de identificação não torna uma embalagem reciclável – nem todos os plásticos são recicláveis e nem todos os centros de tratamento de resíduos têm as infraestruturas necessárias à reciclagem dos vários tipos de plástico.

Adicionalmente, este código de identificação não oferece informação relativamente à presença de toxinas – apenas indica o tipo de polímero utilizado. Na verdade, os fabricantes de plásticos não são obrigados a nomear outras substâncias que tenham sido adicionadas ao polímero durante a sua produção. Por este motivo, mesmo que os plásticos não contenham BPA ou ftalatos, não significa que não tenham nenhum efeito nocivo no nosso organismo. No entanto, qualquer que seja o polímero, é sensato não submeter as embalagens a temperaturas muito altas pois muitas vezes a migração de toxinas para os conteúdos das embalagens ocorre nestas condições.

De um modo geral, os plásticos número 2, 4 e 5 são os mais seguros de utilizar. No entanto, materiais alternativos como o vidro são muito mais inertes e com menor impacto ambiental.

Os frascos de vidro que compramos no supermercado com molhos, por exemplo, são uma excelente alternativa a recipientes plásticos para guardar água, sumos naturais, frutos secos entre tantos outros produtos alimentares. Adicionalmente, utilizar sacos de pano e optar por roupas de algodão ou bambu vai reduzir bastante o consumo de plástico e a contaminação das águas com microplásticos.

O código de identificação de plásticos foi criado em 1988 pela Sociedade da Indústria de Plásticos nos Estados Unidos da América. Na Europa, a aplicação do código de identificação de plásticos não é obrigatória. No entanto, este código é fundamental tanto para o consumidor, como para facilitar a triagem para possibilitar a reciclagem destes materiais. Este código baseia-se num sistema de classificação numérico entre de 1 a 7, consoante as resinas constituintes dos polímeros.

PET – Politereftalato de etileno

Este tipo de plástico é frequentemente utilizado em frascos e garrafas para uso alimentar e cosmético e fibras têxteis. Em Portugal, as garrafas de água mineral são feitas com PET. Caracteriza-se por ser transparente, resistente, impermeável, leve e facilmente reciclável. Em termos de toxicidade, alguns estudos sugerem que quando submetidos a elevadas temperaturas, embalagens de PET podem libertar antimónio para os seu conteúdo. Apesar do antimónio ser tóxico e possivelmente cancerígeno em alguns dos seus estados químicos, pensa-se que as pequenas quantidades de antimónio possivelmente libertadas de embalagens de PET não sejam tóxicas.

PEAD – Polietileno de alta densidade

Pode encontrar-se em embalagens de detergentes e produtos de higiene pessoal, sacos de do lixo, embalagens de manteiga e tampas. é um material inquebrável, leve, impermeável, reciclável e com resistência química. Adicionalmente, resiste a baixas temperaturas. Ao contrário do PET que é feito a partir de petróleo, o PEAD pode também ser obtido a partir de fontes vegetais. Relativamente à sua toxicidade, existem fontes que sugerem que sobre a ação de luz UV, embalagens de PEAD podem libertar nonilfenol, um desregulador endócrino que pode ser adicionado ao PEAD como estabilizador, para os seus conteúdos. No entanto, à semelhança do caso anterior,  não existem estudos suficientes que provem a sua toxicidade.

PVC – Policloreto de vinilo

A utilização deste polímero diminuiu drasticamente devido ao seu impacto na saúde e no ambiente. O PVC pode conter, ou contaminar os produtos que contêm, com substâncias tóxicas como bisfenol-A (BPA), ftalatos, chumbo, dioxinas, mercúrio ou cádmio. No entanto, ainda é utilizado por ter um baixo custo de produção e pode ser encontrado em garrafas de água e sumos, embalagens de produtos alimentares como óleo ou maionese, brinquedos e material hospitalar. É um material rígido, impermeável, resistente a temperatura e inquebrável. Apesar deste material ser reciclável, o processo de reciclagem não é considerado viável a nível industrial.

PEBD – Polietileno de baixa densidade

Encontra-se em sacos de plástico leves, sacos de lixo e películas para embalar alimentos. É um material leve, flexível, transparente, e impermeável. À semelhança do PEAD, pode ser obtido a partir do petróleo ou de fontes vegetais e há fontes que sugerem que substâncias como o nonilfenol podem ser adicionadas ao PEBD como estabilizador. No entanto, este é um polímero atualmente considerado como seguro.

PP – Polipropileno

Este é um plástico muito utilizado em fios e cabos, frascos, caixas de bebidas, biberões, fraldas, pensos higiénicos e películas para embalar produtos alimentares. É brilhante, rígido, resistente a mudanças de temperatura e permite conservar aromas. Uma variação do PP chamada BOPP (bi-axially oriented polypropylene ou polipropileno biorientado) é um plástico metalizado de difícil reciclagem frequentemente utilizado para embalar snacks como bolachas e batatas fritas. No geral, este plástico é difícil de reciclar por se encontrar frequentemente misturado com outros polímeros.

PS – Poliestireno

É utilizado em copos de iogurtes, frascos, pratos, copos descartáveis e brinquedos. É leve, de baixo custo, flexível e tem bom isolador termico. Alguns estudos sugerem que embalagens de PS podem libertar estireno para o seu conteúdo, principalmente se este for quente. O estireno é uma substância possivelmente carcinogénica e com efeitos nocivos no sistema nervoso.

Nesta categoria entram todos os outros tipo de plástico, incluindo misturas de plásticos e bioplásticos. Também se enquadra neste grupo o policarbonato (PC), polímero que tal como o  PVC, tem sido cada vez menos utilizado devido a conter compostos químicos nocivos como o BPA.

Infelizmente, o plástico encontra-se escondido em vários produtos tornando-se difícil evitá-lo completamente. No entanto, há várias coisas que podemos fazer no dia a dia para diminuir drasticamente o seu consumo – se formos muitos a fazermos estas pequenas coisas, o mundo vai mudando e as empresas vão-se adaptando às preferências dos consumidores.

Como sempre, partilha esta mensagem com os teus amigos e familiares, para que ela possa chegar mais longe.

Até breve!

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