A alimentação e o efeito de estufa

A alimentação e o efeito de estufa

O facto da indústria alimentar ter um enorme impacto no ambiente não é novidade. Estima-se que a produção de alimentos seja responsável por cerca de um terço dos gases de efeito de estufa presentes na atmosfera. Neste blog já abordámos algumas das questões éticas e sociais relacionadas com a produção do óleo de palma e o aumento exponencial na procura de abacates – desta vez, vamos trazer-vos alguns dos alimentos que maior impacto têm no ambiente em termos de produção de gases com efeito de estufa (GEE).

Apesar dos GEE impedirem que o calor se dissipe rapidamente para o espaço, e por esse motivo garantirem que a temperatura do planeta seja ideal para a vida como a conhecemos, o aumento da quantidade destes gases está relacionado com o aumento da temperatura da Terra, o qual pode ter efeitos nefastos.

Claro que a alimentação é essencial a todos os seres vivos e ter uma alimentação variada é bastante importante para garantir que o nosso corpo recebe os nutrientes necessários para produzir energia e realizar as suas funções vitais. No entanto, não deixa de ser importante conhecer quais recursos utilizados na produção da nossa comida e o seu impacto ambiental – deste modo vamos conseguir não só fazer escolhas mais conscientes, como também aproveitar ao máximo os alimentos que temos ao nosso dispor e reduzir desperdícios alimentares.

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De modo a perceber a quantidade de GEE gerados na indústria alimentar é necessário ter em conta vários fatores desde a energia gasta para fins de irrigação até ao combustível gasto na maquinaria durante o cultivo e colheita e durante a distribuição do produto final.

Em 2016, investigadores da Universidade de Lancaster (Reino Unido) e da Universidade RMIT (Austrália), publicaram uma revisão sistemática de mais de 300 estudos com o objetivo de ajudar os consumidores a calcular o impacto ambiental da sua alimentação.

Os vegetais, frutos, cereais e leguminosas parecem ser os produtos alimentares com menor impacto, seguidos por carne de animais não ruminantes como a carne de porco e galinha, que tem um impacto médio.

Quais são, então, os alimentos que geram uma maior quantidade de GEE?

A carne vermelha é dos alimentos que mais liberta GEE. Na verdade, estima-se que a produção de apenas 40 gramas de carne de vaca gere 1kg de GEE – por outro lado, a mesma quantidade de GEE é gerada pela produção de quase 6 kg de cebolas. Apesar de ser importante olhar para estes números com sentido crítico, dado a grande quantidade de variáveis a considerar em estudos como este, é fácil perceber o motivo pelo qual a quantidade de GEE gerados na produção de ruminantes é tão alta. Os sistema digestivo destes animais gera quantidades consideráveis de metano, um gás cerca de 20 vezes mais prejudicial para o ambiente do que o dióxido de carbono. Este é um problema sério, já que a emissão de gases por estes animais contribui mais para o aquecimento global do que o sector dos transportes. Apesar da emissão de GEE poder ser reduzida alterando a dieta destes animais, nós próprios podemos reduzir o consumo de carne e contribuir para a solução.

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Os autores do estudo acima referido produziram uma lista simplificada que demonstra de que modo diferentes alimentos contribuem com 1 kg de emissões de gases de efeito estufa. Ou seja, em média, 1 kg de GEE são emitidos na produção de:

  • 5,8 kg de cebola – aproximadamente 50 cebolas médias
  • 3,5 kg de maçãs – aproximadamente 20 maçãs médias
  • 2,6 kg de aveia
  • 1 kg de lentilhas
  • 1,2 kg de amendoins
  • 0,8 litros de leite
  • 290 g de salmão
  • 290 g de ovos – aproximadamente 5 ovos pequenos
  • 270 g de frango
  • 160 g de carne de porco
  • 40 g de carne bovina ou ovina

Somos da opinião que é bastante importante conhecer os produtos que escolhemos comprar – sejam estes produtos alimentares, ou não. Ao saber mais sobre o seu local de origem e os recursos utilizados para o produzir por exemplo, vamos ser capazes de fazer escolhas mais conscientes. A verdade é que na sociedade atual, dada a enorme variedade de produtos disponíveis, cada compra é como que um voto através do qual apoiamos as pessoas e empresas responsáveis pelo produto que escolhemos e consequentemente, os seus ideais.

Os resultados deste estudo mostram como é que a nossa alimentação pode ter um impacto ambiental menos negativo – ao trocar, por exemplo, carnes vermelhas por carnes brancas ou peixe ou mesmo por leguminosas ou outras fontes de proteína vegetal.

Até breve!

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